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6 perfis de técnicos da Copa que a sua empresa tem (ou está precisando)

Qual perfil técnico se adéqua melhor a sua empresa?

Você já percebeu que pode ter um gestor parecido com o Tite – exigente em resultados, mas que prima pela lealdade, pela orientação paciente e humana e gosta de trabalhar com valores pessoais? Ou com características semelhantes ao Sampaoli, da seleção argentina, mais criativo, intenso e cheio de surpresas?

Para Lucas Oggiam, gerente sênior da Page Personnel — empresa global de recrutamento especializado em profissionais de nível técnico e suporte à gestão —, tanto no futebol como dentro das companhias, cada comandante se destaca pelo seu estilo.

“Os técnicos lidam com equipes interdisciplinares, análise de desempenho, compromissos de publicidade e comunicação, formação de times, gerações mais jovens e forte pressão da opinião pública. Olhando sem preconceitos, é muito parecido com um líder de sucesso no mercado corporativo: se pensarmos em concorrência, cobrança por inovação, necessidade de compreender os avanços tecnológicos, pressão por resultados, necessidade de guiar e atrair talentos, enfim, técnicos de futebol são gestores do esporte, e líderes empresariais são os treinadores dos resultados corporativos, ambos também são cobrados pelo desempenho das pessoas à sua volta”, afirma Oggiam.

Confira abaixo os perfis que a sua empresa pode ter ou estar precisando:

Tite – Brasil

O técnico do Brasil ganhou notabilidade internacional ao reverter o difícil quadro de classificação da seleção brasileira, que corria perigo de ficar fora da Copa deste ano. Parte desse sucesso está na forte metodologia de trabalho coletivo e no diálogo mais pessoal com os atletas, imprensa e torcedores (os stakeholders). Tite encarou uma missão inglória em um dos piores momentos de mais admirada marca do futebol mundial.

Perfil de Liderança: o estilo Tite é professoral e pacificador. É um líder que sabe extrair o máximo de rendimento dos talentos disponíveis. Não é necessariamente inovador, e sim muito intenso, organizado e bastante marcante na comunicação. Em geral fala com o coração e sabe conquistar a confiança e a admiração dos liderados. É reconhecido por deixar legados, metodologias de trabalho bem definidas e referências de comando. Analogia com o mundo corporativo: o líder de perfil carismático que traz resultados e melhora o ambiente. Não é inovador, mas é eficiente em estratégias e estruturação de projetos.

Joacquim Löw – Alemanha

O treinador da seleção alemã é um profissional de grandes ciclos. Esteve à frente da maior transformação da história de uma das mais conservadoras seleções do mundo. Löw foi o responsável direto pela renovação de talentos, estilo de jogo, características de treinamento e perfil de atletas e comissão técnica da esquadra germânica em uma gestão que já soma mais de 12 anos. Ele é um típico formador de times de excelência.

Perfil de liderança: Joacquim Löw é um líder bastante discreto. Não encara o estereótipo de disciplinador alemão, pelo contrário, é reconhecido pela liderança cautelosa e educativa. Ganhou muito respeito da crítica internacional por coordenar a transição de carreira de campeões veteranos em meio à explosão de jovens talentosos. Ele lapidou uma das equipes mais convincentes do seu país. Em termos de rendimento, Löw formou um time que, além dos resultados, apresentava beleza de estilo, diversidade étnica e respeito ao jogo (fair play), além de um surpreende carisma na relação com os torcedores e com o esporte em si. Os alemães se tornaram fenômenos pop, algo quase impensável décadas atrás. Analogia com o mundo corporativo: o líder que cultiva grandes resultados em longo prazo.

Gareth Southgate – Inglaterra

A promoção dos sonhos. A frase poderia ser título de um filme clichê, mas é quase perfeita para definir a ascensão profissional de Gareth Southgate. De treinador das categorias de base à liderança da seleção inglesa, exatamente no momento em que a liga do país voltou a ser mais forte e rica do futebol mundial. Um novato entre a aristocracia.

Perfil de liderança: pouco conhecido no mundo do futebol (apesar de ex-jogador), Southgate está promovendo uma sensível mudança no estilo de jogo dos ingleses – similar ao que houve na Alemanha pós 2006 – incluindo muita juventude, velocidade, arrojo e mais leveza na busca por resultados. Gareth é um líder bem-humorado e muito atento aos valores originados de times menores. É um líder que também aposta na forte diversidade do selecionado do país da rainha. Detalhe importante: é favorável à conectividade, comunicação em linguagem digital e valor de marca. Basta citarmos a convocação para a Copa, realizada com um vídeo-surpresa, onde os próprios torcedores “convocavam” os atletas. Gareth abre mão de qualquer vaidade. É um líder sintonizado com o mundo moderno e pouco afeito à autoridade padrão do cargo. É um novato entre os jovens e promissores ingleses. Analogia com o mundo corporativo: o líder que sabe selecionar e reter jovens talentos.

Jorge Sampaoli – Argentina

Inquieto, criativo e complexo. Sampaoli é tudo, menos convencional. Líder reconhecido por inovações táticas e obsessão pelo controle do adversário – escola consagrada por Pep Guardiola – talvez seja o treinador com a missão mais difícil da Copa: comandar um time de grandes estrelas, porém de pouco brilho quando estão juntas, onde até um gênio (Lionel Messi) sofre para convencer. A seleção argentina é uma joia preciosa, num momento de crise.

Perfil de liderança: excêntrico, Sampaoli é um dos mais imprevisíveis líderes da Copa, tecnicamente é bastante admirado, tem rigor, originalidade e um temperamento que não chega a ser explosivo, mas está longe da serenidade. É muito intenso, exige o máximo dos times, toma decisões inusitadas, tem muito arrojo (para alguns, até demais) e não é o tipo de líder que pensa duas vezes diante dos riscos. Ele sempre age. Tem em mãos um gênio que precisa ser motivado de um modo que nenhum outro foi capaz fazê-lo nos últimos anos. Sampaoli está sob forte pressão e terá sua verve de inovação colocada à prova. Analogia com o mundo corporativo: o líder criativo que sabe sacudir o ambiente e tirar as pessoas da zona de conforto.

Roberto Martínez – Bélgica

Um pesquisador à frente de jovens inovadores. A seleção belga de 2018 é muito parecida com uma startup: ágil, admirada, detém alto potencial de crescimento e está bem avaliada pelo mercado. Porém, falta tradição, senioridade e espírito de vitória. O líder que irá comandá-los não é belga. É um espanhol, que traz consigo o repertório de uma das melhores escolas do futebol do mundo, mas também características de pesquisador e psicólogo, com forte orientação para alta performance.

Perfil de liderança: detalhista, pedagógico e afeito à psicologia do sucesso, Martínez é um líder que se preocupa com a cultura inerente ao negócio, exige de seus liderados conhecimentos sobre a história que cerca o ambiente de trabalho, ou seja, extrapola o básico. É reconhecido pelo diálogo humanista e atencioso, capaz de estimular pessoas a cumprirem objetivos, mesmo em quadros desfavoráveis. Terá a missão de comandar uma das seleções mais talentosas, jovens e prestigiadas do torneio, mas que ainda não conquistou nada grandioso. Analogia com o mundo corporativo: o líder estudioso que sabe conduzir jovens talentos à alta performance, formar times e melhorar a cultura geral da empresa, seja em termos de informações, quanto de repertório histórico, algo importante para elevar o valor da marca.

Heimir Hallgrímsson – Islândia

O técnico da seleção islandesa é um ótimo exemplo de competência e sucesso que não é fruto de uma formação tradicional. Dentista fora do mundo da bola, Hallgrímsson é um líder nato, avesso a modismos, formalidade e rigidez como princípio orientador. É o responsável pela seleção outsider (azarão no bom sentido) mais querida da Copa. Também é um exemplo de líder jovem e bem- humorado (a exemplo do treinador da Inglaterra) e com um desapego saudável à fama e a valorização de mercado.

Perfil de liderança – A gestão de Hallgrímsson é quase um símbolo de trabalho primoroso e exaustivo, porém, sem ignorar valores da cultura local e até costumes pessoais e comunitários, ou seja, ele lida com profissionais que também são cidadãos, logo têm suas preferências fora do campo, e que são respeitadas na execução de tarefas. Hallgrímsson cultiva o valor do esforço e todos devem dar o máximo em prol da equipe e o dever de amparar os companheiros que eventualmente não estejam bem ou no mesmo nível de atuação dos demais. É um trabalho de desempenho e empatia. Analogia com o mundo corporativo: o líder culto e desapegado da linguagem padrão de mercado. Preza pelo trabalho árduo o solidário, onde todos são exigidos ao máximo, porém jamais são esquecidos ou repreendidos perante os colegas. Cooperação é a palavra-chave.

Este artigo foi originalmente publicado por Administradores.

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