PME

Anatomia financeira para uma PME

Planejamento e a tomada de decisões que contribuem para os melhores resultados possíveis

Finanças, segundo Groppelli & Nikbakht, é a aplicação de uma série de princípios econômicos e financeiros, objetivando a maximização da riqueza da empresa e do valor de suas ações.

A área de Finanças Empresariais trata das decisões de investimento e financiamento, bem como dos principais indicadores financeiros e de suas implicações no planejamento do futuro da empresa. Em linhas gerais, é o planejamento e a tomada de decisões ótimas, que contribuem para os melhores resultados possíveis.

Os procedimentos e controles financeiros são feitos por meio de demonstrativos financeiros, os quais controlam três importantes condições:

-a liquidez (capacidade de converter itens do ativo em caixa);

-a financeira geral (equilíbrio a longo prazo entre dívidas e patrimônio líquido);

-a rentabilidade (capacidade de obter lucro com regularidade ao longo do tempo).

Demonstração de Resultado do Exercício

Atendendo o princípio contábil do Regime de Competência de contas, tal resultado (lucro ou prejuízo) forma-se por meio da definição de todas as receitas da empresa, bem como de seus custos e despesas.

Independente do porte da empresa (tamanho da firma), a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE consiste em uma das obrigações mais relevantes de qualquer empresa.

A análise da DRE viabiliza a compreensão por parte dos empreendedores de como uma empresa “se comportou” em um dado ano operacional, tendo o conhecimento exato de quanto ela “ganhou” ou, ainda, “gastou” em determinadas despesas.

Assim, visualiza-se o papel importante que a DRE apresenta em um processo de tomada de decisões pelos gestores das empresas, já que concentra em si informações essenciais para a execução de um bom planejamento estratégico.

De acordo com Carneiro & Matias, a DRE define-se pela terceira etapa do processo de elaboração do orçamento, que consiste na “condensação” do resultado final de todos os orçamentos em um único relatório gerencial, para que se tenha uma visão global do orçamento da organização.

Adotando-se esse procedimento, é possível observar o lucro projetado para o próximo período orçamentário (ano), pois a DRE será composta por todas as receitas e todos os gastos projetados. Na elaboração da DRE completa exigida por lei, é necessário apresentar os grupos de receitas (que correspondem a acréscimos no resultado e são reconhecidos e medidos em conformidade com os Princípios Fundamentais da Contabilidade, resultantes de diversos tipos de atividades que possam alterar o Patrimônio Líquido), despesas (que representam os gastos utilizados com os bens ou serviços que não estão diretamente ligados à produção e, geralmente, são consumidos com a finalidade de obtenção de receitas), lucros e impostos.

Vejamos, em seguida, um exemplo de como é projetada uma DRE, conforme ilustra Carneiro & Matias.

PROJEÇÃO DO DEMONSTRATIVO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO:

ORÇAMENTOS                                                          TOTAL ORÇADO NO ANO (EM R$)
Faturamento Líquido (deduzidos impostos incidentes)     774.910,99
(-) Custo de Mercadoria Vendida                                       204.529,85
(-) Matéria-Prima                                                                  31.965,48
(-) Mão de Obra Direta                                                         18.364,37
(-) Custos Indiretos                                                             154.200,00
(=) Resultado Bruto                                                            570.381,14
(-) Despesas Operacionais                                                485.387,20
(-) Despesas de Vendas                                                      94.040,94
(-) Despesas Administrativas                                             358.800,00
(-) Despesas com Seguros                                                    4.649,47
(-) Despesas com Empréstimos (juros)                               27.896,80
(=) Resultado Operacional                                                  84.993,94
(-) Despesas Não Operacionais                                            6.199,29
(+) Receitas Não Operacionais                                           23.247,33
(-) Provisão para Devedores Duvidosos                             24.797,15
(=) Resultado Líquido                                                          77.244,83
(-) Imposto de Renda                                                          19.311,21
(=) Resultado Líquido após Imposto de Renda                  57.933,62

Exemplo de uma DRE Fonte: Carneiro & Matias (2011, p.119).

Contas a Pagar e Contas a Receber

Contas a Pagar é um processo gerencial que tem por finalidade realizar o controle de forma a antecipar, gerar uma previsão, das obrigações que uma empresa ou pessoa física possui durante o mês ou em um determinado período. Representa uma quantidade ou valor em dinheiro que a empresa deve a alguém, a outra organização ou, até mesmo, ao governo em forma de tributos.

Ao adquirir um produto ou serviço a prazo, o comprador gera um compromisso financeiro com o seu fornecedor. Na data em que foi agendada a efetivação desse compromisso, faz-se necessário que o devedor avalie se o pagamento ocorrerá pelos recursos necessários para liquidação nesse mesmo momento, ou se a dívida deverá ser renegociada.

Assim torna-se importante controlar as Contas a Pagar e, também, as Contas a Receber, dessa forma, identificam-se todas as obrigações de um determinado período, verificam-se as contas que não foram pagas; a perda de prazos de pagamentos não é permitida e antecipa-se uma possível falta de recursos financeiros.

Cada compromisso que a empresa assume perante terceiros deve ser anotado ou feita outra forma de registro baseada em documento, podendo ser uma cópia da nota fiscal, duplicata, boleto de cobrança bancária, formulário simples de pedido ou orçamento, cópia de cheque pré-datado ou formulário interno em que conste, pelo menos, o nome do credor, o valor e a data do compromisso, sendo registrado em planilha, formulário ou outro documento, de tal maneira que permita a fácil identificação dos compromissos vincendos, seus valores e datas, bem como seus montantes.

Para a contabilidade, outra importante conta são as Contas a Receber, que têm como função informar o oposto de Contas a Pagar, indicam a quantidade de dinheiro que terceiros devem à própria empresa, ou seja, demonstram quanto a organização ainda pode receber em dinheiro de seus devedores, na forma de, por exemplo, compras feitas por clientes.

Muitas vezes, as empresas não dedicam suficiente atenção a cobranças, descuidando-se dessas, ao passo que são pontualmente cobradas, portanto o ditado “quem quer receber faça acontecer” deve colaborar com a realidade de tais empresas, que, via de regra, deparam-se com situações de alta inadimplência entre seus clientes, o que acaba por comprometer suas operações.

Diferenças entre Contas a Pagar/Receber e Planejamento Financeiro

Apesar das contas a pagar e a receber poderem ser utilizadas no planejamento financeiro de uma empresa, tais processos apresentam diferenças, mas, ao mesmo tempo, são indispensáveis a uma empresa.

Uma das diferenças é a visão de curto prazo que as contas a pagar e a receber possuem, essa visão é atualizada de forma constante, tendo em vista que se dá de forma cotidiana, por exemplo: a venda de determinado produto em três parcelas, ou a compra de um bem de consumo durável em seis prestações, é lançada no contas a pagar e a receber diariamente. Essas ações são baseadas em eventos que já foram realizados e dos quais o gestor possui conhecimento, ou mesmo em eventos altamente prováveis de ocorrerem, como o consumo de energia em dado período.

Já o planejamento financeiro possui uma visão de longo prazo, que vigora em um ano, dois anos ou mais e é atualizado poucas vezes dentro desse período, pois, uma vez realizado, ele apresenta metas e objetivos de vendas a serem alcançados no decorrer desse tempo, com ele, o gestor sabe, por exemplo, qual o faturamento necessário que a empresa necessita atingir e assim por diante. Portanto o planejamento financeiro baseia-se em eventos, gastos estimados, que, talvez, ainda nem existam e, por isso, entram no rol das previsões.

Para uma eficiente gestão financeira, é necessário que a empresa implante alguns controles gerenciais que forneçam sistema gerador de informações que possibilite a efetivação do planejamento de suas atividades e controle de seus resultados. De maneira que, se houver um controle financeiro eficaz, o gestor poderá avaliar como o capital rodou no passado e o que está acontecendo no presente. Dessa forma, é possível identificar possíveis falhas e despesas desnecessárias, além de alternativas de lucro a partir do remanejamento de aplicações. Existem diversas formas de realizar esse tipo de controle e há locações de softwares no mercado que desempenham essa função.

Análises e manutenção de Contas a Pagar e Contas a Receber

Durante o planejamento estratégico, a empresa deve saber detalhadamente quanto necessita, ou seja, qual a exigência de caixa necessária para honrar com uma determinada operação ou, por exemplo, o lançamento de um produto até que atinja seu ponto de equilíbrio.

Para calcular o montante de fluxo de caixa que deve garantir o pagamento de suas obrigações, a empresa necessita observar seu ciclo operacional. O ciclo se inicia no pagamento de um fornecedor, passando pelo processo produtivo, até que o produto chegue ao estoque, passe pela venda e ocorra o recebimento do dinheiro advindo da venda, que pode, inclusive, ter sido parcelado para o cliente que paga em 30, 60 e 90 dias, por exemplo.

Assim, o controle da tesouraria, ou seja, o contas a pagar e a receber, é essencial para eliminar as frustrações no caixa que geram tomadas de empréstimos de emergências, incorrendo, muitas vezes, em juros altos.

Agir com previsibilidade permite ao gestor da empresa realocar dinheiro próprio ou negociar melhores formatos no mercado onde atua.

A importância no uso das atribuições do DRE quando feito de forma responsável e bem assertiva gera melhores resultados econômicos, financeiros, metas e objetivos, capacidade de relacionar-se melhor com possíveis investidores e stakeholders em geral, e, acima de tudo cria mais valia sistêmica com colaboradores e isto é profissionalismo onde a empresa esta sempre pronta para crescimentos e a tomada de decisões para abertura de capital quando trata-se de Pequena Empresa ou Média, criando assim melhor Valor no todo para a organização.

Bom trabalho e grande abraço.

Este artigo foi originalmente publicado por Administradores.

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