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Quais são principais desafios no engajamento entre grandes empresas e startups?

Engajar nossa indústria com startups é mesmo a saída? Cada vez mais ouve-se que sim

Engajar nossa indústria com startups é mesmo a saída? Cada vez mais ouve-se que sim: que as startups são a melhor maneira que temos para construir um mundo melhor. Sendo assim, as corporações deveriam olhar para isso como um movimento estratégico para se tornarem mais inovadoras e terem acesso a tecnologias de vanguarda. No entanto, não é nada fácil fazer com que estes casamentos prosperem.

Por que? Quais são hoje os principais desafios no engajamento entre grandes empresas e startups? Disciplinas novas requerem erros e acertos. Aprendemos muito em uma centena de projetos realizados nos últimos 15 anos no Brasil e podemos dizer que os principais desafios são:

Falta de um direcionamento estratégico
Não há, na maioria das corporações, um modelo de gestão ou mental orientado à Inovação Aberta: esquecem-se de derrubar os muros, abrir as portas e passar a considerar, de verdade, as startups como parceiras estratégicas e efetivas para a inovação. As corporações, para se engajarem, têm que flexibilizar eventuais regras e isto não é nada fácil na era do compliance. A dica aqui é definir previamente e, com a máxima clareza, os focos estratégicos de inovação da companhia e quais deles serão alcançados com startups. Além disso, superar com energia as eventuais barreiras;

Como encontrar os parceiros ideais?
O cenário do empreendedorismo de startups no Brasil é multifacetado e dinâmico. É um grande desafio identificar os parceiros certos para as necessidades específicas das empresas nesse mar de alternativas. É preciso ter um conhecimento avançado do ecossistema – uma espécie de inteligência de mercado – e validar cada passo no processo de seleção. Uma das formas mais efetivas de obter esse resultado é por meio do matchmaking, quando startups, investidores, especialistas de mercado, profissionais de grandes empresas e executivos de alta gestão têm interesses correspondentes. Sendo assim, as corporações não devem avançar em inovação aberta sem antes definir os critérios e requisitos que vão orientar a seleção das startups mais adequadas para as suas necessidades;

Como garantir o engajamento dos colaboradores e outros agentes internos?
Não basta encontrar o parceiro ideal. É preciso avançar na integração entre os processos da empresa e os das startups, superar as barreiras tecnológicas, de conexão com sistemas legados – por exemplo, as travas culturais, como o “not invented here” -, e outros mil motivos aparentemente razoáveis – só aparentemente. Para isso, é preciso investir na gestão da mudança e na construção de uma cultura mais adaptável e propícia à inovação. Uma verdadeira cruzada na direção do engajamento dos colaboradores de ambas as partes. Eles terão que aprender a identificar, gerenciar e superar a resistência a mudanças. Primeiro em si mesmos e depois nas equipes e nos pares;

Como assegurar o avanço efetivo dos trabalhos na direção desejada?
O “casamento” requer uma gestão baseada nos preceitos do PMO (Project Management Office), ou seja, como se trataria qualquer projeto complexo na empresa. Metodologias ágeis de gestão de projetos, como Scrum e Lean, serão essenciais para que se encontre uma linguagem comum de controle e divisão dos trabalhos entre startups e equipes internas da corporação.

Nesta etapa do casamento, o caráter dos trabalhos deve assumir configuração de desenvolvimento experimental – A implementação das soluções e serviços específicos das startups deve ser feita numa perspectiva inicial de tolerância ao erro e de aprendizado, eventualmente, de forma isolada da operação principal, e de modo a viabilizar a adequação dos elementos tecnológicos às necessidades específicas do relacionamento.

É, portanto, um processo crítico, que deve ser gerido de forma efetiva, para garantir o alcance dos resultados esperados. Uma das etapas-chave é, por exemplo, o desenvolvimento de um MVP (Minimum Viable Product), uma prototipação rápida. A implementação desses passos experimentais e iniciativas-piloto gerará informações necessárias para a validação das proposições (eventualmente com a geração de business cases) ou possível correção e adequação, quando necessário.

Sua empresa está pronta para o desafio? Há muitas e excelentes oportunidades em volta dela que, certamente, estarão alinhadas aos seus objetivos. O resultado pode ser excepcional.

(*) Valter Pieracciani é empresário, escritor e sócio-diretor da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas – Consultoria em Inovação

Este artigo foi originalmente publicado por CIO.

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